PORQUE (AINDA) SOU ANARQUISTA
Notas para uma teoria política cyberpunk
1. Introdução
Em 2020, arrumei alguns desafetos devido ao texto “Porque não sou marxista (mas continuo estudando sociologia crítica)”, em que afirmo que Bourdieu e Foucault são muito mais radicais do que Marx. Entre as várias críticas que recebi, a mais interessante me acusa de confundir deliberadamente ideologia política com teoria social; e que eu deveria, ao invés de explicar “o que não sou”, dizer em que realmente acredito, uma política propositiva a partir da sociologia contemporânea.
Então, surgiu a ideia deste texto, não mais voltado para mostrar ao público político uma teoria social mais crítica e contundente que o marxismo, mas, sobretudo, para repensar uma ideologia política mais completa, atual e sociologicamente fundamentada do que a professada pelo senso comum de direita e de esquerda.
Quando me declaro politicamente anarquista, não é um virtude de Bakunin e Proudhon. Aliás, concordo com as críticas de Marx e Lenin a esses autores. E, embora goste de Emma Godman, Piotr Kropotkin e de Henry David Thoreau (e concorde com suas ideias sobre feminismo, mutualismo e desobediência civil), considero que essas ideias são distorcidas e apropriadas pela ideologia anarco-capitalista.
Meu anarquismo tem mais a ver com o espírito da Guerra Civil Espanhola; e com três conjunto teóricos dispersos e diferentes: a antropologia política da contracultura, a cibercultura atual (que incorpora a ideia de máquina e de informação) e o conceito de ‘Autopoesis’ (a auto-eco-organização) elaborado pela teoria dos sistemas complexos.
Vamos detalhar AQUI cada um desses pontos em três revisões.
