quinta-feira, 26 de abril de 2018

Pesquisa sobre cinema negro



  1. LISTA DE FILMES AFRO BRASILEIROS
  2. DOCUMENTÁRIOS
  3. FILMES AFRICANOS


Link para o programa de TV revista de cinema brasileiro, episódio sobre o cinema negro:
Zozimo Bulbul
Artigo científico
http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/revistateias/article/view/24195

Aula
http://www.labhoi.uff.br/sites/default/files/historia_do_negro_no_cinema_brasileiro.ppt


Lista de filmes afro brasileiros


ORFEU NEGRO (1959)
No Carnaval Orfeu (Breno Mello), condutor de bonde e sambista que morra no morro, se apaixona por Eurídice (Marpessa Dawn), uma jovem do interior que vem para o Rio de Janeiro fugindo de um estranho fantasiado de Morte (Ademar da Silva). Mas o amor de Orfeu por Eurídice irá despertar o ciúme de sua ex-noiva, Mira (Lourdes de Oliveira).
BARRAVENTO (1962)
Numa aldeia de pescadores de xaréu, cujos antepassados vieram da África como escravos, permanecem antigos cultos místicos ligados ao candomblé. A chegada de Firmino, antigo morador que se mudou para Salvador fugindo da pobreza, altera o panorama pacato do local, polarizando tensões. Firmino tem uma atração por Cota, mas não consegue esquecer Naína que, por sua vez, gosta de Aruã. Firmino encomenda um despacho contra Aruã, que não é atingido, ao contrário da aldeia que vê a rede arrebentada, impedindo o trabalho da pesca. Firmino incita os pescadores à revolta contra o dono da rede, chegando a destruí-la.
O AMULETO DE OGUM (1974)
Na Baixada Fluminense, Ney, um nordestino de corpo fechado, adere à quadrilha de Severiano. Mas, convencido pela amante deste, Eneida, Ney declara guerra ao antigo chefe, filiando-se a um bando de pivetes. Em seguida se utiliza dos costumes do candomblé para fechar seu corpo. Em Palmeira, o garoto Gabriel perde o pai e o irmão assassinados. Em uma cerimônia de candomblé tem seu corpo fechado. Dez anos mais tarde, Gabriel chega ao sul para encontrar-se com doutor Severiano, que lhe acolhe por indicação de uma importante figura de Palmeira. O rapaz realiza alguns crimes ao lado de Chico, homem de confiança de Severiano e encarregado de ensinar o novato. Uma falha de Gabriel em um dos trabalhos provoca briga entre ele e Chico. Na briga o rapaz leva alguns tiros e nada lhe acontece. Com o episódio, sua fama de ter o corpo fechado se acentua chamando a atenção de Severiano que lhe delega um trabalho especial. 

QUILOMBO (1984) 
http://www.filmesepicos.com/2010/08/quilombo-1984.html

Em meados do século 17, escravos fugidos das plantações canavieiras do Nordeste organizam uma república livre, o Quilombo dos Palmares. A utopia durou mais de um século, até que os colonizadores europeus unissem suas forças para erradicá-la a ferro e fogo.

CHICO REI (1985)
http://www.filmesepicos.com/2012/02/chico-rei-1985.html

Em meados do século XVIII era intenso o tráfico de negros da África para o Brasil Colonial. Arrancados de suas tribos, eram amontoados em navios negreiros e mantidos aqui como mão de obra escrava. Entre eles estava Chico Rei. A lenda conta que este negro passou por inúmeros sofrimentos e que, aqui chegando, teve sempre em mente libertar seu povo das correntes da escravidão. Em Vila Rica (atual Ouro Preto) onde trabalhava, Chico Rei descobriu uma grande reserva de ouro que o permitiu comprar a carta de alforria e, tempos depois, a própria mina do Senhor endividado tornando-se o primeiro negro proprietário. Com o ouro da mina, os negros compraram sua liberdade e construíram no alto da cidade, uma igreja para a Padroeira, Santa Efigênia.

MADAME SATÃ (2002)
Rio de Janeiro, 1932. No bairro da Lapa vive encarcerado na prisão João Francisco (Lázaro Ramos), artista transformista que sonha em se tornar um grande astro dos palcos. Após deixar o cárcere, João passa a viver com Laurita (Marcélia Cartaxo), prostituta e sua “esposa”; Firmina, a filha de Laurita; Tabu (Flávio Bauraqui), seu cúmplice; Renatinho (Felippe Marques), sem amante e também traidor; e ainda Amador (Emiliano Queiroz), dono do bar Danúbio Azul. É neste ambiente que João Francisco irá se transformar no mito Madame Satã, nome retirado do filme Madam Satan (1932), dirigido por Cecil B. deMille, que João Francisco viu e adorou.
MARÉ, NOSSA HISTÓRIA DE AMOR (2007)
O filme “Maré, Nossa História de Amor” conta a história de Analídia (Cristina Lago), filha de um chefe do tráfico de drogas preso, que briga pelo poder com o irmão de Jonatha (Vinícius D’Black), na favela da Maré. Separados pelo ‘apartheid’ entre as facções rivais, eles encontram no grupo de dança da comunidade, dirigido por Fernanda (Marisa Orth), um refúgio para o amor, a arte, o sonho e a possibilidade de uma vida longe do crime. Jonatha é MC da comunidade e seu sonho é gravar um CD. Dividido entre os irmãos mais velhos _ Paulo (Flávio Bauraqui), idealista, trabalhador e amante do samba e Dudu (Babu Santana), irmão adotado, chefe de uma das facções que comandam o tráfico na favela, ele vive o dilema de aceitar ou não a ajuda deste último, que promete financiar sua carreira com o dinheiro das drogas.
LADRÕES DE CINEMA (1977)
Durante o carnaval, no Rio de Janeiro, uma equipe de cineastas norte-americanos tem seu material de filmagem roubado pelo bloco de índios que eles documentavam. Os ladrões, favelados do morro do Pavãozinho, resolvem eles mesmos fazer um filme tendo por tema a Inconfidência Mineira. Toda a população do morro adere à idéia com o mesmo espírito e a alegria da preparação de uma escola de samba, com exceção de Silvério, que preferia vender o equipamento e dividir o dinheiro.
UMA ONDA NO AR (2002)
Jorge, Brau, Roque e Zequiel são quatro jovens amigos que vivem em uma favela de Belo Horizonte e sonham em criar uma rádio que seja a voz do local onde vivem. Eles conseguem transformar seu sonho em realidade ao criar a Rádio Favela, que logo conquista os moradores locais por dar voz aos excluídos, mesmo operando na ilegalidade. O sucesso da rádio comunitária repercute fora da favela, trazendo também inimigos para o grupo, que acaba enfrentando a repressão policial para a extinção da rádio.
FILHAS DO VENTO (2004)
Numa pequena cidade em Minas Gerais as irmãs Maria “Cida” Aparecida (Taís Araújo) e Maria “Ju” da Ajuda (Thalma de Freitas) têm objetivos bem distintos. A primeira quer se tornar uma famosa atriz e para isto é imperativo que deixe o lugarejo, já a segunda só pensa em namorar. Vivem com Zé das Bicicletas (Mílton Gonçalves), o pai delas, que foi abandonado pela mulher e é muito rigoroso com o comportamento das filhas. Quando ele acusa injustamente Cida de estar se envolvendo com Marquinhos (Rocco Pitanga), o namorado de Ju, ela fica tão magoada que deixa a cidade e vai para o Rio de Janeiro na esperança de ser atriz, e consegue. A vida de cada irmã seguiu seu curso e elas ficam sem se falar por mais de 4 décadas. Com a morte de Zé das Bicicletas, Cida retorna para a sua cidade natal para o enterro do pai. O encontro dela com Ju será inevitável, mas elas têm muita mágoa uma da outra e talvez seja difícil resolver 40 anos em alguns dias.
BRANCO SAI, PRETO FICA (2015)
O filme cria suas imagens e sons a partir de uma história trágica: dois homens negros, moradores da maior periferia de Brasília, ficam marcados para sempre graças a uma ação criminosa de uma polícia racista e territorialista da Capital Federal. Essa polícia invade um baile black. Tiros, correria e a consumação da tragédia: um homem fica para sempre na cadeira de rodas, o outro perde a perna após um cavalo da polícia montada cair sobre ele. Mas esses homens não se sentem confortados em contar a história de maneira direta e jornalística. Eles querem fabular, querem outras possibilidades de narrar o passado, abrindo para um presente cheio de aventuras e ressignificações, propondo um futuro.
CINCO VEZES FAVELA (1962)
1- “Um favelado” (Marcos Farias): Um favelado, desempregado e sem dinheiro, arquiteta um plano para ganhar dinheiro, mas é descoberto e preso pela polícia. 2 - “Zé da cachorra” (Miguel Borges): Um latifundiário quer de volta suas terras, onde está instalada uma favela. Um favelado luta contra a passividade de uma comissão de moradores, que estão aceitando a situação desfavorável que lhes foi imposta. 3 - “Escola de Samba Alegria de Viver” (Carlos Diegues): Um favelado, presidente do grêmio recreativo, divide-se entre lutar pela sua categoria ou aceitar as imposições comerciais do carnaval. 4 - “Couro de gato” (Joaquim Pedro de Andrade): Moradores favelados caçam gatos a fim de usar seu couro para fabricar tamborins, que serão usados no carnaval. 5 - “Pedreira de São Diogo” (Leon Hirszman): No Rio de Janeiro, sobre uma pedreira há uma favela. Ao perceberem o risco de desabamento dos barracos, em consequência das explosões de dinamite, os operários incitam os moradores a iniciar movimento de resistência para impedir um acidente fatal.
Ver tb: 5X FAVELA - AGORA POR NÓS MESMOS
BESOURO (2009)
A escravidão foi abolida. Mas o preconceito fez com que os negros fossem tratados como escravos para ganhar um pouco de dinheiro para sobreviver. A palavra capoeirista assombrava homens e mulheres, mas o velho escravo Tio Alípio nutria grande admiração pelo filho de João Grosso e Maria Haifa. Era o menino Manoel Henrique que, desde cedo aprendeu, com o Mestre Alípio, os segredos da Capoeira na Rua do Trapiche de Baixo, em Santo Amaro da Purificação, sendo batizado com Besouro Mangangá por causa da sua flexibilidade e facilidade de desaparecer quando a hora era para tal. Mestre Alípio foi jurado de morte por ensinar capoeira. Mas Besouro tinha a responsabilidade de protegê-lo.
SABOTAGE: MAESTRO DO CANÃO (2015)
Falando de dentro do Canão, a ilha de pobreza encravada entre bairros de classe média de São Paulo onde cresceu, o rapper Sabotage abre sua mente neste documentário inédito, soltando o verbo espontâneo, sincero e profundo. Discute a infância, o ócio, a rua, a desigualdade, o descaso, a solidariedade, o passado e o futuro, como uma antena que capta e emite realidade em todas as direções. Depoimentos de diversos músicos e pessoas ligadas a ele, demonstram a importância desse artista que misturou estilos e se tornou uma lenda após sua morte.

documentários


ABOLIÇÃO (1988)
Produzido em 1988, faz o resgate de 100 anos de abolição no país, através de um olhar negro. Entrevistas com personagens importantes para a preservação da cultura, como Abdias do Nascimento, Lélia Gonzalés, Beatriz do Nascimento, Grande Otelo, Joel Ruffino, Dom Elder Câmera em contraposição com D. João de Orleans e Bragança e Gilberto Freire. Um importante documento das ideias desses pensadores, como também de presidiários, mendigos e artistas populares na sua maioria negros. Questiona que tipo de abolição houve neste país já que a situação 100 anos depois continuava de muita luta, desigualdade e racismo.
MENINO 23: INFÂNCIAS PERDIDAS NO BRASIL (2016)
A partir da descoberta de tijolos marcados com suásticas nazistas em uma fazenda no interior de São Paulo, o filme acompanha a investigação do historiador Sidney Aguilar e a descoberta de um fato assustador: durante os anos 1930, cinquenta meninos negros e mulatos foram levados de um orfanato no Rio de Janeiro para a fazenda onde os tijolos foram encontrados. Lá, passaram a ser identificados por números e foram submetidos ao trabalho escravo por uma família que fazia parte da elite política e econômica do país, e que não escodia sua simpatia pelo ideário nazista. Aos 83 anos, dois sobreviventes dessa tragédia brasileira, Aloísio Silva (o “menino 23”) e Argemiro Santos, assim como a família de José Alves de Almeida (o “Dois”), revelam suas histórias pela primeira vez.
ESTAMIRA (2004)
ESTAMIRA é a história de uma mulher de 63 anos que sofre distúrbios mentais e que durante 20 anos viveu e trabalhou no Aterro Sanitário de Jardim Gramacho. Carismática e maternal, Dona Estamira convive com um pequeno grupo de catadores idosos num local renegado pela sociedade, que recebe diariamente mais de oito mil toneladas de lixo produzido no Rio de Janeiro.
FAVELA GAY (2014)
A homossexualidade dentro das favelas cariocas. Temas como homofobia, preconceito, trabalho e aceitação da familia, a partir da perspectiva de gays e lésbicas, que contam seus cotidianos dentro da comunidade. Um retrato de como, apesar das adversidades, essas pessoas constroem suas próprias histórias através da educação, da arte e da política.
JARDIM DAS FOLHAS SAGRADAS (2011)
Salvador. A expansão imobiliária da cidade, decorrente de sua modernização, faz com que o candomblé, tradicional religião afro-brasileira ligada à natureza, seja afetada. A causa é que o candomblé pede a existência de lugares amplos e naturais, para a realização de sua liturgia. É neste contexto que Miguel Bonfim (Antônio Godi), um ex-bancário que é filho de uma yalorixá e um jornalista de esquerda, decide criar o Jardim das Folhas Sagradas. Sem conseguir um local na cidade, ele decide montá-lo na periferia. Por questionar o sacrifício de animais, Bonfim resolve fazer um terreiro modernizado e descaracterizado. Só que esta decisão lhe traz graves consequências.
ENCONTRO COM MILTON SANTOS OU O MUNDO GLOBAL VISTO DO LADO DE CÁ (2006)
A partir de uma entrevista feita com o geógrafo Milton Santos em 4 de janeiro de 2001 é discutido o tema da globalização e seus efeitos nos países e cidades do planeta. Trata do processo de globalização com base no pensamento do geógrafo Milton Santos, que, por suas idéias e práticas, inspira o debate sobre a sociedade brasileira e a construção de um novo mundo.
A 13ª EMENDA (2016)
Escravidão. Criminalização. Elos de uma corrente de segregação racial forjada por motivos políticos e econômicos. Estudiosos, ativistas e políticos analisam a correlação entre a criminalização da população negra dos EUA e o boom do sistema prisional do país. Documentário que discute a décima terceira emenda à Constituição dos Estados Unidos – “Não haverá, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito a sua jurisdição, nem escravidão, nem trabalhos forçados, salvo como punição de um crime pelo qual o réu tenha sido devidamente condenado” – e seu terrível impacto na vida dos afro-americanos.
EU NÃO SOU SEU NEGRO (2016)
O escritor James Baldwin escreveu uma carta para o seu agente sobre o seu mais recente projeto: terminar o livro Remember This House, que relata a vida e morte de alguns dos amigos do escritor, como Medgar Evers, Malcolm X e Martin Luther King Junior. Com sua morte, em 1987, o manuscrito inacabado foi confiado ao diretor Raoul Peck.
QUATRO MENINAS – UMA HISTÓRIA REAL (1997)
Documentário produzido pela companhia de Spike Lee em conjunto com a HBO, que discorre sobre o famoso e cruel atentado terrorista – evidentemente de cunho racista – que vitimou quatro meninas. O fato se deu em 1963, em plena era da luta pelos direitos civis, quando uma bomba explodiu a 16th Street Church, em Birmingham, no estado do Alabama. A morte daquelas crianças revoltou todo o povo americano e não somente os negros – mas especialmente estes tinham aí mais um motivo para pedir justiça e igualdade.
TUPAC: RESURRECTION (2003)
 Celebração à vida e à carreira do ator e músico Tupac Shakur, reconhecido como uma dos maiores talentos do hip-hop e do gangsta rap. O filme reúne pela primeira vez imagens da infância ao lado mãe e empresária Afeni Shakur, filmes caseiros e um show nunca mostrado. Shakur foi assassinado em 1996. 

PIERRE VERGER – MENSAGEIRO ENTRE DOIS MUNDOS (1998)
https://vimeo.com/148028428


‘Verger: Mensageiro entre Dois Mundos’ é um documentário dirigido por Lula Buarque com roteiro de Marcos Bernstein (Central do Brasil), que estiveram pesquisando na África, na França e na Bahia a trajetória de Pierre Verger. A narração é de Gilberto Gil e traz a última entrevista de Pierre Verger filmada um dia antes de seu falecimento, em 11 de fevereiro de 1996 além de depoimentos de amigos. O documentário refaz o caminho percorrido pelo fotógrafo e etnólogo dentro da cultura negra na Bahia e na África e mostra a descoberta de Verger dos descendentes da única colonização feita por brasileiros, os “Agouda”, africanos, habitantes do Benin e da Nigéria, que ainda hoje cultivam influências brasileiras trazidas por ex-escravos que retornaram do Brasil ao continente africano.


Brasil: Uma História Inconveniente (2000)

http://www.filmesepicos.com/2010/08/brasil-uma-historia-inconveniente-2000.html 

Portugal foi responsável pela maior emigração forçada da história da humanidade. De Angola chegou ao Brasil um número 10 vezes superior de escravos comparado à America do Norte. Este documentário, sobre o passado colonial do Brasil, foi realizado em 2000 por Phil Grabsky, para a BBC/History Channel. Ganhou um Gold Remi Award no Houston International Film Festival em 2001. Uma verdade inconveniente da história de Portugal.

filmes africanos relevantes


A VIAGEM DA HIENA (1973)
A Viagem Da Hiena é o primeiro filme do aclamado diretor senegalês Djibril Diop Mambety é considerado um dos melhores filmes africanos, com certeza um dos mais experimentais. Concebido com exatidão e magistralmente realizado, o filme narra as cômicas desaventuras de Mory, um vaqueiro que monta uma motocicleta com um crânio bovino. e Anta, uma estudante universitária. Alienados e descontentes com o Senegal e a África, decidem ir para Paris, buscando para tanto, arrumar dinheiro-fácil através de diferentes formas.
VIRGEM MARGARIDA (2012)
Moçambique, 1975. Com a independência do país recém-proclamada, o novo governo quer eliminar alguns maus hábitos do colonialismo, entre eles a prostituição. Em uma noite, centenas de mulheres são capturadas e levadas num caminhão para um centro de reeducação isolado. Lá, elas são submetidas a um duro programa de doutrinamento que inclui trabalhos forçados e castigos corporais. Entre elas está Margarida, de 16 anos, capturada ao acaso por estar sem documentos. Quando as prostitutas descobrem que Margarida é virgem, ela passa a ser protegida e idolatrada como uma santa.
OS INICIADOS (2017)
Cabo Oriental, África do Sul. Xolani, um operário solitário, viaja para as montanhas rurais com os homens de sua comunidade com intuito de atuar nos rituais de Ulwaluko, que consiste na circuncisão de adolescentes de origem Xhosa para que eles ingressem finalmente na vida adulta, tornando-se homens. Xolani assume a responsabilidade sobre um garoto da cidade que o pai teme ser homossexual e, quando o iniciante questionador descobre seu segredo mais bem guardado, o operário não tem mais paz.
NJINGA, RAINHA DE ANGOLA (2013)
Rainha dos reinos do Ndongo (ou Ngola) e de Matamba, Njinga (1583-1663) foi uma guerreira africana que durante quatro décadas tudo fez para poupar o seu povo ao destino cruel da escravatura, generalizada pelos europeus no séc. XVI. Corajosa e decidida, ela era filha do rei Kilwanji e irmã de Mbandi. Este, tendo-se revoltado contra o domínio português em 1618, foi derrotado pelas forças de Luís Mendes de Vasconcelos. O nome de Njinga surge nos registos históricos alguns anos mais tarde, como uma enviada a uma conferência de paz com o governador português de Luanda. Após vários anos de incursões portuguesas para captura de escravos, e entre batalhas intermitentes, Njinga conseguiu negociar um tratado de termos iguais, chegando a converter-se ao cristianismo de forma a fortalecer a confiança entre os dois povos, adoptando o nome português de Ana de Sousa. Determinada a proteger os seus, ajudou a reinserir antigos escravos e formou uma economia que, ao contrário de outras, não dependia do tráfico de pessoas. Njinga faleceu aos 80 anos de idade, admirada e respeitada por Portugal, depois de uma luta corajosa contra a ocupação colonial, em defesa do povo mbundu. Um filme histórico, com realização do português Sérgio Graciano, segundo um argumento de Joana Jorge, que narra o percurso de honra e coragem de uma das mais importantes mulheres africanas da História.
RAINHA DE KATWE (2016)
Phiona Mutesi é uma jovem de Uganda que faz de tudo para alcançar o seu objetivo de se tornar uma das melhores jogadoras de xadrez do mundo. Órfã de pai e moradora de uma região bem pobre, Mutesi foi obrigada a largar a escola por falta de dinheiro, mas agora está decidida a enfrentar todos os obstáculos para tornar seu sonho realidade.
A PEQUENA VENDEDORA DE SOL (1999)
Menina aleijada de doze anos, Silli vai mendigar nas ruas de Dakar. Um bando de meninos vendedores-mirins de jornais zombam de sua deficiência. Ela logo decide parar de mendigar e começa também a vender jornais, atividade normalmente reservada aos meninos. No decorrer de suas aventuras, Sill conhece Babou: uma amizade que se afirma frente á brutalidade dos pequenos rivais vendedores de jornal…
BADOU BOY (1970)
O menino Badou, um jovem delinquente, vive aprontando em sua cidade, perturbando a paz de todos que o cercam. Sua fama consagra-o como uma das figuras mais procuradas pela polícia, que nunca consegue alcançá-lo. Enquanto isso, um mendigo cego sobrevive de sua humilde música, denunciando através do canto uma série de injustiças sociais. Com este primeiro longa, o diretor Mambéty passou a ser considerado uma espécie de ‘Godard Negro’.
TIMBUKTU (2014)
 Julho de 2012, em uma pequena cidade no norte de Mali, controlada por extremistas religiosos. Uma família tem sua rotina alterada quando um pescador mata uma de suas vacas. Ao tirar satisfação sobre o ocorrido, Kidane (Ibrahim Ahmed dit Pino) acaba matando o tal pescador. Tal situação o coloca no alvo da facção religiosa, já que cometera um crime imperdoável.
A VIDA SOBRE A TERRA (1998)
Um cineasta decide passar a virada para o ano 2000 na aldeia onde nasceu. No cotidiano pobre e sofrido da aldeia, ele reencontra seu pai, passeia de bicicleta e encontra a jovem Nana que traz nova vida ao local.
PROCURANDO FELA KUTI (2014)
Ninguém melhor que Fela Kuti para personificar o movimento musical africano dos anos 70 e 80. Paralelamente, o multi-instrumentista, cantor e compositor associou-se ao activismo político pós-colonial e anti-apartheid. A sua postura, os seus hábitos e consumos, bem como a sua música determinaram uma vida marcada por perseguições do repressivo regime militar nigeriano que se prolongaram até à sua morte, aos 58 anos, vítima de complicações decorrentes da SIDA. O ressurgir do afrobeat na última década recuperou o interesse no trabalho de Fela Kuti e levou à estreia de um aclamado musical na Broadway sobre a história do lendário músico. Finding Fela acompanha a estreia do musical em Lagos, na Nigéria, e aproveita a ocasião para recuperar o material que serviu de base à construção do espectáculo – filmes de arquivo, depoimentos, etc. –, ao mesmo tempo que recorda a vida do músico africano, documenta a performance e a sua recepção na terra natal de Fela Kuti.
EU NÃO SOU UMA FEITICEIRA (2017)
Depois de um incidente banal em sua vila, a menina de 8 anos Shula (Maggie Mulubwa) é acusada de bruxaria. Depois de um rápido julgamento, a garota se torna culpada e é levada em custódia pelo Estado, sendo exilada para um campo de bruxas no meio do deserto. No local, ela passa por uma cerimônia de iniciação em que aprende as regras da sua nova vida como bruxa. Como as outras residentes, ela é amarrada em uma grande árvore, sendo ameaçada de ser amaldiçoada e de se transformar em uma cabra caso corte a fita.
COME BACK, AFRICA (1959)
Zachariah é um camponês de origem Zulu que se muda para Joanesburgo a fim de encontrar trabalho e sustentar sua família financeiramente. Na cidade, são vários os trabalhos que o esperam, todos marcados pelo racismo desenfreado: trabalha no interior de uma mina de outro, adapta-se para trabalhar como doméstico para uma família de brancos, em um estacionamento e um restaurante exclusivo para brancos. Em seu tempo livre, se distrai com os amigos nos bares destinados aos negros, onde se discute acaloradamente a questão racial. Logo, sua esposa e seu filho juntam-se a ele no subúrbio de Sophiatown, mas a esperança logo dá espaço a uma grande tragédia. Come Back, Africa é um semi documentário apoiado por organizações negras norte-americanas, realizado ilegalmente na África do Sul no auge de sua segregação racial.

sábado, 14 de abril de 2018

ÓDIO ÀS ELITES


Repensando os marcos da formação do Brasil

Marcelo Bolshaw Gomes[1]

RESENHA:
SOUZA, Jessé de. A modernização seletiva: uma reinterpretação do dilema brasileiro. Brasília, Editora da Universidade de Brasília, 2000. 276 páginas.

A sociologia de Jessé de Souza está em evidência atualmente devido a seus últimos livros A tolice da inteligência brasileira (2015); A radiografia do golpe (2016); e A elite do atraso: da escravidão à Lava Jato (2017) - que tratam do cenário político brasileiro contemporâneo e do ódio ao pobre pelas elites. Alguns textos resumindo esses trabalhos foram publicados pelo revista Carta Capital e também pelo Le Monde Diplomatique. Também há vários vídeos e entrevistas com o autor na internet, em que suas ideias principais são apresentadas[2].
No entanto, esses livros mais recentes são também mais políticos do que sociológicos, escritos para um público não acadêmico, de forma a ampliar sua audiência além do meio universitário.
Do ponto de vista acadêmico e científico, A modernização Seletiva (2000) é a principal obra do Souza, em que ele critica a sociologia da inautenticidade (Sergio Buarque de Holanda, Raymundo Faoro, Roberto DaMatta) e flerta com as ideias de Gilberto Freire sobre o escravismo colonial como instituição basilar da formação da cultura brasileira, vivo em nossos dias como desigualdade social.
Por que o capitalismo industrial no Brasil não deu certo? Por que a modernização das nossas instituições é incompleta ou superficial? O que exatamente permanece de problemático e arcaico na modernidade brasileira? Foi por causa da colonização portuguesa – responde o senso comum formado por uma longa lista de preconceitos, textos e autores. O colono português no Brasil foi mais promiscuo, sentimental, já era mestiço de várias etnias, católico por conveniência, preguiçoso, socialmente irresponsável e outras tantas características negativas responsáveis por nossa desgraça cultural: a inautenticidade.
A concepção da ‘herança ibérica maldita’ é apreendida de forma involuntária por nossa cultura, sendo a compreensão dominante dos brasileiros sobre si mesmos: “a ideia de um Brasil modernizado ‘para inglês ver’, uma modernização superficial, epidérmica e ‘de fachada’ (...)”. (SOUZA, 2000, p. 11).
E o projeto de Souza é descrever a singularidade do processo histórico de modernização brasileiro e romper com as noções comuns que os brasileiros têm de seu próprio país e de si mesmos. É sobretudo essa ideia naturalizada do senso comum (de que a influência portuguesa é responsável por uma modernização aparente ou parcial) que Souza desmitifica com a noção de modernização seletiva e heterogênea, descontruindo alguns mitos da sociologia brasileira de dimensão estrutural: o personalismo de Sérgio Buarque de Holanda; o patrimonialismo de Raymundo Faoro; e a dicotomia cultural entre pessoa privada e indivíduo público, proposta por Roberto da DaMatta.
O personalismo e o sentimentalismo lusitanos são enfatizados por Sérgio Buarque de Holanda no livro Raízes do Brasil (1995) como elementos formadores do ‘Homem Cordial’: “um traço definido do caráter brasileiro, na medida, ao menos, em que permanece viva e fecunda a influência ancestral dos padrões de convívio humano” (HOLANDA, 1995, p. 147).
Para Holanda, a cordialidade impede que o povo brasileiro entenda corretamente o significado da esfera pública, há uma fusão simbólica entre o Estado e a família. A cordialidade é uma valorização exacerbada da personalidade, dos favores pessoais e políticos, do nepotismo e do clientelismo.
Souza o critica com razão:
A ética personalista permeia toda a análise de Buarque e consolida o tema clássico do ‘para inglês ver’, ou seja, da autolegitimação de uma baixa estima nacional pelo disfarce, pelo embuste, pensado de modo a garantir uma transitória aprovação dos outros povos, portanto de fora para dentro, completa o quadro da modernização inautêntica e epidérmica como nosso traço mais característico. O personalismo e o iberismo permanecem como nossa herança mais profunda. (2000, p. 167).
No entanto, há um exagero em reduzir o conceito de populismo de Holanda a mera produção ideológica derivada do personalismo e do homem cordial. O populismo é um conceito importante para descrever e explicar a realidade política brasileira (e latino-americana) e não uma noção ideológica forjada pela elite acadêmica para justificar a desigualdade social decorrente da instituição escravista[3].
Outro autor criticado por Jessé Souza como integrante da sociologia da inautenticidade é Raymundo Faoro e seu livro Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro (1979). Faoro ressalta o caráter patrimonialista do estado brasileiro, herdeiro da formação do Estado português no século XII e do uso do direito romano como modelo de pensamento, em que as elites latinas se apropriam do espaço público, ‘privatizando-o por dentro’.
[...] “a nossa formação social seria, portanto, defeituosa devido à permanente influência da herança estatal portuguesa, a qual impediu o país de livrar-se do atraso social e econômico” (SOUZA, 2000, p. 182-183).
O argumento central de Holanda e Faoro (que a nossa incapacidade para vida pública e para igualdade jurídica entre indivíduos é resultado de nosso legado cultural lusitano) é aprofundado por Roberto DaMatta, em Carnavais, Malandros e Heróis – por uma sociologia do dilema brasileiro (1997)[4]. DaMatta acredita que a chegada de D. João VI ao Brasil é o marco zero da sociedade brasileira, através da constituição de um estado burocrático (o vice-reino) e de um mercado (a abertura dos portos às nações amigas). Essa dupla fundação dá origem ao dualismo entre ‘casa’ e ‘rua’; contrapondo o ‘indivíduo’ (unidade elementar da esfera pública impessoal) à ‘pessoa’ privada, existente no âmbito da família, dos afetos, do cotidiano (2000, 184). Para DaMatta, o elemento pessoal do cotidiano é dominante em relação ao institucional-abstrato; o que faz com que a racionalidade institucional perca sempre para o caráter emocional e pessoal. Isso acaba ‘institucionalizar’ a teoria do jeitinho brasileiro, uma imagem do senso comum da ‘ideologia’ do brasileiro médio sobre si próprio” (SOUZA, 2000, 189-196). O jeitinho seria a sobreposição da pessoa ao indivíduo, da casa à rua, do privado ao público, da posição social de alguns sobre as regras comuns a todos. Essa ‘flexibilidade’ diante dos dispositivos disciplinares modernos seria então uma forma de sociabilidade própria dos brasileiros, uma característica cultural.
Tanto a versão privatista de DaMatta que enfatiza a liberdade do mercado; como a versão estatista de Faoro que ressalta a corrupção da esfera pública; quanto a versão culturalista de Holanda que prioriza a vida civil; apontam a herança ibérica como o grande fator negativo na modernização do Brasil.
A sociologia da inautenticidade está assim enraizada no senso comum e é polinizada através da própria cultura brasileira, de forma ideológica, para perpetuar sutilmente nossa submissão e inferioridade em relação à modernidade ocidental. Aos desmistificar os conceitos de ‘Homem Cordial’, ‘Patrimonialismo latino’ e ‘desigualdade pessoal’, Souza também vê o processo histórico de modernização das instituições brasileiras de modo seletivo e singular, sem atender aos modelos universais de desenvolvimento. Somos únicos e os únicos capazes de produzir ferramentas para compreensão sociológica da singularidade de nossa realidade.
Para Souza, o escravismo colonial é a principal instituição na formação social do Brasil. E, assim, a desigualdade social está na base de toda história institucional do país. A sociologia da inautenticidade coloca a corrupção herdada sociabilidade ibérica como caraterística central da brasilidade apenas para esconder a desigualdade social.
Em sua crítica à sociologia da inautenticidade, Souza se aproxima dos trabalhos de Gilberto Freire[5]. No Brasil colônia, a única instituição existente - antes do estado, antes do mercado, antes da sociedade civil (igreja, escola) era a família patriarcal. A senzala era a infraestrutura econômica e a casa grande, a superestrutura política e cultural. E a família reinava acima de tudo. Para Freyre, a arquitetura colonial expressa o modo de organização social e política do Brasil arcaico, o patriarcalismo, em que os coronéis das capitanias hereditárias são proprietários da terra ‘e de tudo que nela se encontrasse’. Em Casa-Grande & Senzala, Freyre coloca a miscigenação étnica como estratégia de colonização no centro do processo histórico da cultura brasileira. A diversidade cultural determina a desigualdade social, o pluralismo étnico se traveste de democracia racial.
Enquanto Gilberto Freyre coloca a miscigenação étnica como fator central da cultura brasileira; Darcy Ribeiro sugere a identidade antropofágica como produto histórico desta miscigenação[6]. Souza se aproxima desses autores por eles não priorizarem o papel da herança ibérica maldita e entenderem a miscigenação como um fator positivo da singularidade brasileira, mas deles se distancia em função de seu foco fechado sobre a questão escravista.
A contribuição crítica de Jessé Souza contra a sociologia da inautenticidade nos ajuda a entender o Brasil a partir de suas próprias particularidades, como resultado de um processo histórico singular e seletivo de modernização encoberto por nossa intelectualidade e naturalizadas por nós mesmos no senso comum. Por outro lado, não há ainda um diálogo com a antropologia e com a tradição multicultural dos estudos brasileiros.



(Hiper) Referências bibliográficas
AVRITZER, Leonardo. A singularidade brasileira. Revista Brasileira de Ciências Sociais, Vol. 16 no 45 fevereiro/2001.
CORDEIRO, Eros Belin de Moura. A modernização brasileira segundo visão de Jessé Souza. Constituição, Economia e Desenvolvimento: Revista da Academia Brasileira de Direito Constitucional. Curitiba, 2009, n. 1, Ago-Dez. p. 50-75.
DAMATTA, Roberto. Carnavais, Malandros e Heróis – Por uma sociologia do dilema brasileiro. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1997.
FAORO, Raymundo. Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro. 5. ed. Porto Alegre: Globo, 1979.
FLUSSER, Vilem. Fenomenologia do brasileiro: em busca de um novo homem. Rio de Janeiro: Eduerj, 1989.
_______. Sobrados e Mucambos. São Paulo: Global Editora, 2004.
_______ Ordem e progresso. São Paulo: Global Editora, 2004
HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. Coleção Documentos Brasileiros. 19ª edição. Prefácio de Antônio Cândido. Rio de Janeiro: José Olympio, 1987.
RIBEIRO, Darcy - O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
SOUZA, Jessé. Max Weber e a ideologia do atraso brasileiro. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 38, 1998.
______ Subcidadania e Naturalização da desigualdade. Política & Trabalho, João Pessoa, v. 22, p. 67-97, 2005.
______ A Construção Social da Subcidadania. Belo Horizonte: UFMG, 2006.
______. A ralé brasileira: quem é e como vive. Belo Horizonte: UFMG, 2009.
______. Os batalhadores brasileiros: Nova classe média ou nova classe trabalhadora? Belo Horizonte: UFMG, 2010. (Coleção Humanitas)
______. A tolice da inteligência brasileira: ou como o país se deixa manipular pela elite. São Paulo, Leya, 2015.
______ A radiografia do golpe: entenda como e por que você foi enganado. Rio de Janeiro: Leya, 2016.
______ A elite do atraso: da escravidão à Lava Jato. Rio de Janeiro: Leya, 2017.

(Hiper) Referências audiovisuais
O Povo Brasileiro. Direção: Isa Grinspum Ferraz. Gênero: Documentário. Coproduzida pela TV Cultura, pela GNT e pela FUNDAR. Ano de Lançamento: 1976. Duração: 280 min. País: Brasil.



[2] Como, por exemplo, o programa Voz Ativa de 05/2/2018, da Rede Minas:  <https://www.youtube.com/watch?v=h73_QFGOfB4&feature=youtu.be>
[3] Para Holanda, o populismo brasileiro se estruturou a partir das elites escravistas diante “do poder moderador do imperador de Don Pedro II”; e foi reinventado por Getúlio Vargas contra essas mesmas elites. O conceito (que já foi ampliado por diversos autores para abarcar outras manifestações semelhantes na América Latina) até hoje tem poder explicativo para descrever a realidade política brasileira. A ideia de “nostalgia do poder moderador” acima das elites escravistas do Brasil Império, desenvolvida por Holanda, também é essencial para explicar do papel histórico de Luís Inácio Lula da Silva e do paradigma institucional do ‘presidencialismo de coalizão’, estruturado pela Constituinte de 1988. Vejam aqui.
[4] Principalmente no ensaio Sabe com quem está falando? Um ensaio sobre a distinção entre indivíduo e pessoa no Brasil (1997, 187-259).
[5] Casa-Grande & Senzala (1996), publicado em 1933, aborda as estruturas sociais da Brasil colônia e é o primeiro de uma trilogia de livros de Gilberto Freyre sobre a formação histórica da cultura brasileira, que inclui ainda Sobrados e Mocambos (2004ª) sobre o Império, publicado pela primeira vez em 1936; e Ordem e Progresso (2004b) sobre o período republicano, em 1957.
[6] Outra aproximação possível (com outros estranhamentos interessantes) é entre Jessé Souza e o pensamento de Darcy Ribeiro. Em O povo brasileiro (1996), Ribeiro afirma que identidade brasileira é singular em relação a de outros povos colonizados; tanto em relação aos povos testemunhais (andinos e mexicanos), que guardam os traços distintivos de antigas civilizações Inca e Asteca; como também em relação aos povos em que as características culturais dos colonizadores passaram a ser dominantes, como os argentinos e canadenses. Nos povos em que a identidade étnica nativa é forte (como na Bolívia, por exemplo), há uma rejeição popular da cultura colonizadora. Já nas culturas em que a identidade nativa é insignificante, como na Colômbia, todos se consideram descendentes dos colonizadores. No primeiro caso, há uma rejeição da cultura colonizadora; no segundo, há, não apenas uma aceitação, mas, sobretudo, uma identificação completa entre a população e a cultura colonizadora. Para Ribeiro, a cultura brasileira nem rejeita (fechando-se em uma cultura de resistência popular) nem se identifica (reproduzindo os valores externos) com o colonizador. A cultura brasileira devora antropofagicamente o colonizador. Assim, a identidade brasileira assimila a cultura colonizadora e a reinterpreta. A essa qualidade de assimilação e reinvenção cultural, Darcy Ribeiro dá o nome de ‘ningüéndade’ – a identidade da não-identidade, a cultura do zé ninguém, aquele que não se reconhece na imagem do outro, mas também ousa elaborar uma imagem própria. A cultura brasileira é um projeto aberto ao que está por vir e não uma referência simbólica do passado sobre à atualidade. ‘Um povo sem memória, mas com grande esperança’. Assim, miscigenação não nos torna iguais nem nos faz um mix de qualidade e defeitos étnicos. Ela é uma apenas identidade vazia. Por isso que somos "o país do futuro" e um eterno "gigante adormecido em berço esplêndido".